Ando falando comigo mesma tem dias. Na verdade com pessoas que nunca saberão da existência desses sentimentos ou até mesmo das palavras exatas que aqui uso. E de vez em quando, entre um término e outro, me pego pensando em você, meu caso de amor, paixão, sei lá o que. Penso muito no que nós fomos e, claro, no que nós NÃO fomos. O “não” sempre é mais forte e me acaba me deixando um pouco introspectiva. Por exemplo, quando estou em um ônibus e vejo um menino loiro, sentado de costas para mim, e faço mil pedidos interiores para que seja você. Vontade de que o rapaz se vire e me dê um sorriso bonito e que tenha a voz igualzinha a sua, enfim, que seja exatamente como você é. Mas nunca é, nunca é. Engraçado pensar que o destino ou a força do acaso, algo do tipo, está sempre sendo fiel aos meus pensamentos. Porque por mais que morra de saudades, ainda assim sei que é mais dolorido te ter por perto do que longe. Daí acaba que encontros casuais nunca aparecem entre nós, nunca mesmo. Aliás, eu acho que morro se um dia ver você beijando outra menina. Ver que todo esse calor teu, que sempre me deixou tão louca, anda fazendo parte de outra pessoa.
Tenho tanto medo de ninguém nunca mais conseguir me fazer sentir o que você fazia. Medo de que ninguém consiga tirar minha respiração só com algumas palavras baixinhas. Medo de que ninguém nesse mundo inteiro me deixe com calor só com um toque nas mãos. Parece até uma brincadeira de mal gosto o que nós tínhamos. Eu achava a incrível como a maneira que me olhava já fazia com que tudo estivesse parado lá fora. Sério, você não sentia tudo isso também? Não é possível que só acontecia comigo. Ou você não se lembra das 1001 noites no cinema, nos bares, no seu carro ou então naquela escadaria do prédio? Não se lembra da sua voz ofegante me dizendo que nunca desejou alguém como me desejava? Era tão forte! Nunca irei conseguir explicar como é extremamente forte essa ligação entre nós. Chego a me arrepiar só de pensar em estar sentada ao teu lado, te abraçar e receber um beijo teu. Isso é bom demais, meu Deus! É disso que eu falo quando me refiro à me sentir completa, entende?
E não acaba no físico, pelo contrário, continuava quando eu deitava ao seu lado e via o tempo passar. Conversando com uma amiga acho que descobri o porquê dessa ligação tão forte, é simplesmente porque você tinha tudo aquilo que eu nunca tive. Você possuía o dom de ser liberto, e eu sempre admirei isso…
Mas me dói saber que nós nunca levamos em frente tudo isso. Eu te quis, você me quis e então ficou estacionado. Você namorou outra pessoa, eu também não fiquei sozinha, mas em todos os meus momentos lembro de como foi contigo…e aí sinto aquele medo. Talvez seja melhor mesmo que nós nunca mais nos encontremos. É dolorido demais viver qualquer momento ao teu lado e depois ter que entender que você vai embora. Ter que abrir mão e ficar olhando vagamente para outras pessoas… isso é muito foda!! Eu já superei uma vez. Depois de uns quatro anos consegui viver em paz, porque esquecer mesmo a gente não esquece. E é baseado nesse fato que levo a vida em frente. Fico tentando colocar na cabeça que daqui uns anos vou olhar aquele menino loiro do ônibus e não esperar que seja você.
Enquanto isso…bom, enquanto isso eu só sinto dor e saudade de você. Saudade imensa de todo e qualquer vestígio seu.

