A nossa história sem fim: eu e a escrita.

Esses dias resolvi atualizar a bio aqui do blog porque o conteúdo anterior já nem fazia muito sentido. Pensei em algumas frases de efeito, mas nenhuma delas foi capaz de resumir sobre o que escrevo ou quem sou, por isso acabou saindo um texto curto mesmo (e digo curto porque não escrevi 5% do que realmente gostaria). Mas é pra isso mesmo que a gente tem um blog, né? Pra problematizar sempre que sentir vontade, sem texto curto.

Escrever, para mim, nada mais é do que fazer o que eu gosto, de maneira sincera, sendo eu mesma. É como se já fizesse parte de quem eu sou, então rola naturalmente. Acho que isso de estilo ou perfil de escrita é bem particular. Tem muito a ver com o que, de fato, a pessoa quer comunicar e de que maneira ela faz isso. Por aqui, o que posso afirmar, com certeza, é que a minha relação com a escrita é pessoal, como se ela me salvasse em diversas épocas da vida. 

Livros, memórias e desabafos

Mas antes de toda essa relação com a escrita existir, houve uma criança que cresceu rodeada de livros. A leitura foi, de longe, meu maior incentivo à escrita. O mérito é todo da minha mãe, que sempre me disponibilizou todos os tipos de leituras: livros, gibis, revistas e etc. Quanto mais eu lia, mais queria me expressar também, e escrever me parecia uma opção bem confortável. 

Comecei escrevendo pequenas coisas nas minhas apostilas de escola, no meio da aula mesmo. Aí, antes de dormir, rolava aquele caderno que era uma espécia de diário. Lá eu falava sobre tudo o que sentia vontade: os meus sentimentos, as ideias e planos que tinha, opiniões sobre filmes e músicas, situações que aconteciam e muitas frustrações. Escrever foi um escape para aquela adolescente do interior, tenho certeza disso. 

Wordplay

Já na época da internet, quando uma grande parte das pessoas começou a ter acesso mais fácil, eu estava lá. Madrugada atrás de madrugada e eu acordada, lendo diversos blogs. Nessa de desbravar a internet atrás dos blogs, conversando com uma amiga que também gostava bastante de ler e escrever, chegamos na conclusão de também criar um. Cada um criaria o seu e a gente iria atualizando conforme sentisse necessidade. 

Foi aí que criei esse blog, esse mesmo que você está lendo. O primeiro texto publicado foi em 2007, ainda morando em Três Lagoas. Depois teve: mudança para Curitiba, época de cursinho, frio absurdo, saudade de casa, começo de faculdade, curitibanos fechados e por aí vai. Paralelo a tudo que acontecia na minha vida, o blog continuou. A escrita ainda me salvava. 

Comunica aqui, vende ali 

Na publicidade não foi tudo mil maravilhas. Eu tenho minhas frustrações com a profissão, mas que também nem cabe falar nesse post. Já no que diz respeito à escrita, a relação é mais de entrega do que recebimento, isso levando em consideração que a proposta é outra e etc. Mas como disse, escrever se revela de maneira muito pessoal para mim, é mais uma questão de expectativa mesmo.  

Da salvação ao bloqueio

É tão pessoal que comecei a ter uns bloqueios criativos meio malucos. Por exemplo, há uns 5 anos comecei a achar que me expressava demais aqui, deixando de fazer isso verdadeiramente na vida real. Aí surgiu todo um questionamento se o blog era realmente uma válvula de escape, prazerosa e tal, ou se estava me sabotando sabe? Pensando nisso, veio a cobrança de um rótulo, porque na minha cabeça precisava me definir e não só parecer um eterno desabafo.

Foi um processo bem doido mesmo, que também caminhou um pouco com as frustrações da publicidade. Resolvi parar de escrever publicamente, ou seja, tranquei o blog. A intenção era rever o que eu escrevia e tentar me conhecer melhor. Isso foi mais ou menos em 2013 e desde essa época não publiquei mais nada aqui, até o começo desse ano. Lembro que foram raras as vezes em que voltei para escrever, mesmo que de maneira privada.

Eu sentia vontade de voltar, afinal de contas tantas coisas aconteceram, tantas opiniões mudaram e eu fiquei ali, inerte à escrita. Mas quando lembrava das definições e rótulos, que ainda insistiam em mim, eu travava. Ficava um alerta de que eu só poderia voltar se fosse para eu ser relevante e não só a Carol desabando aos 18 anos.

O retorno – que pode ser de Saturno

No começo desse ano, 2018, ressurgiu de maneira inexplicável minha vontade de voltar a escrever. Não sei afirmar se houve algum fato marcante que me incentivou ou se foi só vontade mesmo. Meu lado astrológico fica falando que é o retorno de Saturno, que é um grande retorno para mim mesma. Mas como não posso afirmar, só falo que a vontade voltou mesmo.

Eu internalizei e fui deixando rolar de forma natural. Pra começar, fiquei uns bons meses lendo grande parte do conteúdo antigo, coisas de 10 anos atrás. Literalmente fui me lendo, como se fosse uma linha do tempo. O que posso dizer para vocês sobre essa minha leitura? Um misto de vergonha alheia com respeito (tanto que ainda é privado). Ao mesmo tempo em que não me reconheço em diversos textos, me consolo e respeito os sentimentos da época.

E por fim: é tudo sobre nós

Foi relendo esses textos que entendi de vez que não quero – e não devo – me definir. Não aqui no meu blog. Ainda que eu escreva sobre feminismo, ou sobre moda, ou sobre culinária, ou sobre cultura pop, ou sobre política, continuará sendo sobre mim. Vai ser sempre em relação à minha visão, ao que eu acredito e vivencio. No final das contas a gente é a soma de tudo. Das nossas frustrações, dos nossos medos e inseguranças, das nossas saudades, dos nossos planos e de muito mais.  

Hoje eu já sou um monte de coisas e sentimentos diferentes que vive em constante evolução. Não há mais espaço para tantas definições ou porquês. É verdade que tenho procurado falar mais comigo mesma, ouvir minhas intuições e me questionar. Encaro como um autoconhecimento e acho que acontece de maneira natural ao longo da vida. Por isso, nada é tão Carol quanto escrever nesse processo. 

Seja bem-vindo (a) ao blog dos textos que me salvam! 

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O que te move é o mesmo que te resgata.

Tenho ensaiado escrever algo há bastante tempo. É sempre assim, todo os dias quando acordo penso em escrever sobre qualquer coisa que seja. Tem bastante assunto não tem? Além do momento bizarro que estamos vivendo, digo no contexto politico e tudo mais da coisa, que daria enormes parágrafos e etc, também poderia falar sobre coisas pessoas e aleatórias sobre mim.

Mas algo acontece, que não sei bem o que é, que bloqueia tudo por aqui. Simples assim, só bloqueia. É muito e ao mesmo tempo nada. E quando vou ver o que escrevi, me parece somente mais um texto como os antigos que fazia e acaba não tendo sentido. E para ser direta, (aliás, me lembraram, em um desses empregos como social media, que a gente precisa ser direto na ideia que quer transmitir – essas coisas de publicitário e conteúdo digital) eu acho que é só uma falta de conexão comigo mesma.

Por mais que eu tente vir aqui e ser direta, construir argumentos e engajar pessoas aleatórias com um conteúdo totalmente pessoal, ainda assim algo me diz que talvez essa dinâmica não faça parte de mim. E tudo bem, não é? Cada vez que me esforço para moldar, mais fica fora do contexto. Não é natural. Talvez eu só precise voltar a me conectar comigo mesma. Sim, isso mesmo, essa coisa de se entender, ser um mundo todo a parte e etc. Sei que é um pouco brega e clichê, porque lemos aos montes conselhos sobre “se conectar”. Inclusive, quando fazia terapia, em uma época tão tão tão distante, toda sessão ouvia algo do terapeuta no sentido de “o que é que me move”.

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Não sei ainda. Talvez eu já tivesse que saber aos 28 anos? Talvez sim, quer dizer, tenho me cobrado bastante ultimamente, então acho que sim, eu já deveria saber o que me move. Não que eu seja só uma adulta aleatória e sem preocupações, com tempo e dispo$ição de sobra “tentando se encontrar”, na verdade é longe disso. Obviamente muita coisa faz sentido e nem tudo é tão desolador como parece, eu sigo caminhando com as convicções que me permeiam como Carol e me interesso por boa parte delas, mas parece que de tempos em tempos fica só no automático.

Também não acho que de um dia para o outro vou descobrir algo FANTÁSTICO sobre mim e tudo vai fazer sentido, seria dramático demais. É mais sobre um calor no coração e na mente, sobre aceitar os limites que possuo e entender que, apesar do caminho ser assim tão cheio de pressão, todos os dias, de diversas maneiras, eu estou no melhor que existe para mim.

Esse texto é só mais um dos muitos que fiz e salvei no rascunho. Existem outros, que também estão no rascunho, em que o tom não é nada pessoal e são até mais bem escritos, seguindo uma linha de pensamento e raciocínio totalmente calculado, conforme deve ser um bom conteúdo digital. Poderia publicá-los? Seria ótimo, mas não faz sentido nenhum pra mim agora. Acho que é porque tem a ver com a conversa de se conectar comigo mesma, por isso deixei rolar.

Hoje eu só não quis calcular cada parágrafo ou sinônimo por frase, pelo menos por hoje. Muitas vezes eu sei que será assim, principalmente no profissional, mas dentro do meu mundo não. A gente precisa se resgatar sempre, de tempos em tempos, mesmo que a modernidade seja infinita, que a carreira seja incrível, que os relacionamentos nos preencham, ainda assim a gente tem que se enxergar ao fundo e ver se não tá tudo ficando muito nebuloso.

E eu, que aos 18-20 anos pensei ter vivenciado meu ápice da loucura sentimental & dúvidas e etc, hoje já posso mudar o nome desse blog para:  “Textos Para Serem Lidos aos 28 Anos – Crise e Retorno de Saturno”, porque olha, cada respiro é uma reflexão sem fim.

Para um domingo de Dia das Mães – e todos os outros também.

Por aqui, nesse Domingo de 2018, se inicia um dia das mães sem ela por perto. Depois que sai de Três Lagoas, é o segundo ano seguido que não conseguimos estar juntas. A minha mente fica me relembrando que tudo bem, que somos presentes uma com a outra todos os dias e de diversas maneiras, mesmo quando a ligação falha. E mesmo assim, tendo consciência da nossa relação, meu coração pede mais e sofre por não poder estar lá. Como uma jovem adulta que precisa lidar com frustrações, faço o que? Isso mesmo, internalizo e me transbordo toda em palavras e textos.

Escrever sobre a minha mãe ou sobre nossa relação tem ser tornado uma tarefa um pouco mais fácil com o passar do anos. Nós sempre tivemos os nossos conflitos, alguns pessoais mesmo, além do que eu também já fui uma adolescente cheia de sentimentos e ações estranhas. Tudo isso, junto com a convivência, era meio complexo de entender e administrar, mas quando deixei ela e minha avó, aos 17 anos, no interior do Mato Grosso do Sul, alguma coisa começou a mudar aqui dentro. Não sei se foi a falta ou a consciência agindo, mas desde então tudo ficou mais claro para mim.

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Eu sempre vi a minha mãe como um grande espelho de mim mesma, ambas crescendo juntas. Isso porque, quando eu vim ao mundo, ela ainda era uma menina e não sabia direito o que a vida lhe esperava. As minhas primeiras lembranças da nossa relação são cenas muito próximas do que logo eu vim a passar. Nós crescemos juntas, na verdade eu cresci vendo ela se entender como mãe e mulher no mundo. Vi todo o seu amadurecimento, seus amores, suas conquistas e depois sua segunda gravidez, nossa amada Malu.

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Quando minha mãe não estava em cena, era minha vó quem estava presente. Sempre foi assim: eu e elas, mulheres justas, batalhadoras e sempre disponíveis para o que fosse preciso. Foi de uma segurança enorme ter tido uma infância e, hoje, uma vida adulta com uma mãe e uma avó tão presente. Se já é difícil ser uma mulher no mundo, imagina então o combo mulher + mãe? Inclusive foi aqui, na nossa relação, que eu entendi que mãe é mulher antes de tudo. Parece muito claro falando assim, mas tenho aprendido a respeitar os sentimentos da minha mãe como o de uma mulher, afinal ela também só quer ser feliz.

Enfim, mãe e vó, eu quero mesmo é que vocês tenham a certeza (e isso já foi dito não só em texto, mas pessoalmente) de que por aqui tem uma Carol que as respeita e admira demais. Todo meu agradecimento ao melhor que vocês conseguiram me proporcionar, por sempre se dedicarem para mim (e pela Malu) da maneira que foi possível no momento.

Obrigada por colecionarem comigo momentos felizes, saudáveis e até mesmo tristes, onde juntas nos fortalecemos. Hoje eu consigo entender que muito de mim, das minhas percepções, vieram de vocês. É muito bom poder enxergar o mundo conforme me passaram, sempre com muita humildade, calma e luta. Eu as amo demais, de uma maneira especial e única. Desde que eu cheguei por aqui nós temos construído esse amor, dia após dia, como se ele nunca tivesse fim.

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Eu sei que os caminhos são meio malucos, porque como é que pode eu amar tanto vocês e estar aqui morando tão longe? Talvez seja isso mesmo viver, um monte de pergunta sem resposta e que a gente só vai entender um tempo depois. O que importante é que hoje faz sentido e lidar com a saudade é consequência.

Por fim, que os dias passem rápido para o nosso reencontro novamente, é muito ruim ficar distante assim. Enquanto isso eu sigo por aqui, dançando conforme a música e desejando que todos os filhos estejam bem pertinho de suas mães, assim como eu gostaria de estar com as minhas.

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Feliz dia das mães, Eliany e dona Anésia, donas desse meu amor genuíno e sem precedentes.

É permitido frustrar-se, disse a vida adulta.

Ilustração foto de destaque: Adams Carvalho.

Assim como quase tudo acontece por aqui – digo, no meu mundo, na minha cabeça – comecei a problematizar com a expressão “jovem adulto” mais conhecida como: meus 27 anos. Incrivelmente, diversos textos sobre “Retorno de Saturno” e “Crises dos 27/28 anos” apareceram na minha timeline, mas não é bem sobre isso que quero escrever, na verdade quero muito, quero demais, mas vai ficar para um outro texto. Eu desgracei mesmo a cabeça quando veio a reflexão sobre o quão maluco é essa coisa da vida adulta.

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Ilustração: Elliana Esquivel

É bem verdade a história dos boletos e siglas gigantescas, mas eu fui a fundo e continuei o desgraçamento pensando em como não nos falam sobre frustrações ou a importância de lidar com elas. Porque há todo um consenso geral demonizando esse sentimento e ensinando diversas maneiras de como evitá-lo, e por mais maluco que isso possa soar, entender nossos demônios é mais saudável do que parece. É exatamente quando a gente enxerga que, muitas vezes, não ter solução também é uma solução.

As coisas começaram a ficar um pouco mais fáceis quando percebi que não ia conseguir controlar todas as situações e sentimentos, pelo menos não o tempo todo, e nem ter solução imediata para os problemas e angústias. Foi uma péssima notícia para uma pessoa metódica, por isso não tive outra saída: comecei a tomar consciência das minhas frustrações, algo como me acolher e ser resiliente.

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Sinto que é como aceitar as condições imprevisíveis da vida, coisas fora do plano mas que por qualquer motivo que seja, estão ali. Veja bem, não é uma questão de conformismo, é sobre compreender que as frustrações fazem parte de nós, das nossas escolhas e algumas vezes não irão ter sentido algum.

Ninguém chegou até mim e disse que seria bacana se eu começasse a lidar de forma consciente com as frustrações aos 27 anos. Tudo o que eu sabia sobre “seja responsável por você mesmo” me parecia mítico demais, aquela coisa do script  a ser seguido e tal. Inclusive, outra coisa que ninguém fala claramente, é sobre carregarmos ao longo da vida responsabilidades que nem nos pertencem, resultando em sentimentos negativos totalmente desnecessários. Por isso também é importante que a gente abrace as nossas lutas reais e sim, nós sabemos quais são.

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Ilustração: Frances Cannon

Gostaria muito de finalizar esse texto afirmando que foi apenas uma conclusão do meu Retorno de Saturno, porque pelo o que eu andei pesquisando a tendência é só piorar o desgraçamento – e não querendo ser injusta com o ciclo do planeta, mas acho que tudo isso sempre esteve aqui, por mais inacessível que possa parecer. Enfim, vamos tratar nossas frustrações, mágoas e tristezas com naturalidade, elas fazem parte da nossa história, além disso é com elas que vamos realmente nos fortalecer.

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Quando, por fim, mergulhei.

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Provavelmente, há dez anos, quando escrevi pela primeira vez por aqui, eu não tinha noção do quanto era/é revolucionário ser uma mulher. Até então sabia pouco sobre mim mesma e passei alguns anos julgando outras mulheres, assim como a minha própria pessoa.

Mas como quase tudo na vida é um processo, se reconhecer como feminista também é. Aquela história que já sabemos: a sociedade e a mídia vem e nos coloca goela abaixo tanta romantização (esse ainda vai render um post!), tanta opressão e abuso que quem sou eu para julgar não é mesmo?

Ao longo desse processo tenho percebido o quanto é uma luta diária e por diversas vezes dolorosa. E como uma autêntica virginiana que sou, não encontrei outra maneira que não fosse organizar em tópicos algumas das minha re-descobertas – todas ainda em complexa construção – com o feminismo. São elas:

  • Acho que sempre fui feminista e nunca soube. É que, para mim, foi mais uma questão de “se reconhecer” mesmo.
  • Aí vem a parte em que descobri que nem todas as mulheres sabem o que é, o que representa e a importância de ser, por isso meu papel aqui não é julgá-las e sim ajudar.
  • Os padrões estéticos? Ah, os padrões… como eles já minaram minha auto estima. Confesso: essa é uma das lutas que parece ser uma eterna desconstrução.
  • Acolher amigas e colegas cujas decisões não me parecem as melhores, mas entender que, naquele momento, foi o máximo que elas conseguiram fazer e tudo bem. Na verdade eu acho que comecei a respeitá-las mais, porque simplesmente tento me colocar no lugar e tudo fica mais claro, sabe? Cada uma é como é, com suas particularidades e acabou. As pessoas têm tempos diferentes. Eu também tenho minhas falhas e ausências, então não seria justo julgar.
  • Uma melhor relação com a minha mãe. Hoje eu a enxergo não só como uma mãe, mas uma mulher com seus defeitos, anseios, dúvidas e prazeres.
  • Suportar e incentivar mulheres em seus cargos, iniciativas e habilidades.
  • A violência contra a mulher, além da de gênero, acontece de diversas maneiras: sexual, moral e psicológica são algumas delas. Sei que parece óbvio lendo assim, né? Pois é, mas também faz parte daquele processo todo lá.
  • Enxergar outras mulheres como rival não é saudável. Aqui eu posso, também, confessar que foi uma grande descoberta para mim. É meio maluco entender que a rivalidade sempre foi incentivada, ainda mais quando isso gera tanto lucro. Importante lembrar: caráter é outro assunto.
  • O movimento tem diversas lutas dentro de uma só, simplesmente porque mulheres são diferentes e suas vivências também, como classe social, raça e sexualidade. Por isso tento sempre respeitar o lugar de fala de cada uma delas.

Por mais que essa lista pareça algo como exaltação pessoal, na verdade é um grande lembrete de mim para mim mesma. Porque todos os dias, em algum momento que seja, eu preciso do feminismo e sempre me sinto acolhida. Ele também me acolhe quando sou julgada, principalmente por homens, ao falar o que penso em relação às mulheres e a forma como somos tratadas na sociedade.

Lembro que há um tempo atrás achava que deveria falar baixinho, só comentar na roda das minhas amigas, mas essa luta diária que é ser mulher me fez ver que eu não devo, de jeito nenhum, ficar quieta e disfarçar. Se incomodar, tudo bem, é sinal de que aquela pessoa realmente precisava ouvir.

Mas eu não vou ser hipócrita com vocês, frequentemente esqueço tudo o que escrevi e, também, reproduzo discurso machista e escroto. As falhas existem e não é nada fácil, afinal de contas foram muitos anos de um discurso pronto. A diferença é que agora eu lembro o tempo todo que sou mais uma mulher no mundo sendo oprimida e com um risco mil vezes maior de ser morta por qualquer motivo que seja, muito mais do que um homem.

Então assim, gente, vamos falar sim sobre feminismo, todos os dias se possível. Isso é urgente e necessário, como sempre foi. Ser mulher, em pleno 2018, é porrada atrás de porrada. Mas, se eu puder romantizar só um pouquinho, também diria que é força, coragem e amor compartilhados.

Inclusive, ainda romantizando, o feminismo, também, me trouxe algo valioso: o mergulho em mim mesma algo como fazer as pazes comigo. ❤ Entendo que não é justo com a mulher que sou, seguir uma caminhada toda sem me aceitar e me amar, né? O mundo todo vai tentar me provar o contrário, mas se eu for o meu próprio lar e me acolher, está tudo certo. Estarei sempre pronta para a próxima!

Sobre os anos por aqui.

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O fato é que lembrei há alguns dias que, agora em 2018, completo 10 anos vivendo em Curitiba. Não é nada assim, digamos, excepcional e que mude qualquer coisa, mas achei que deveria vir até aqui escrever algumas palavras. Na verdade, quando me dei conta desse tempo todo em terras paranaenses, me bateu uma reflexão de leve.

Na últimas semanas venho fritando um pouco a cabeça depois que assisti Dark, haha, e aí imaginei: quão louco seria se eu pudesse falar comigo lá em 2008, quando me mudei para cá? Eu nem sei o que falaria para aquela menina lá, acho que diria “miga, vai parecer que vai dar errado toda hora, mas confia e vai”.

Ao longo desse período já tive que “voltar duas casas” algumas vezes, porque cada dia era uma parada nova, um aprendizado diferente – e continua sendo! Além disso, já foram muitas decisões e mais indecisões ainda.

Teve de tudo um pouco: habilidades profissionais (e pessoais também) novas, apartamentos diferentes (ufa, até demais!), despedidas e chegadas inesperadas, rolês memoráveis e outros nem tanto. Teve também um monte de gente nova e interessante, novos posicionamentos, muuuita desconstrução (esse ainda em andamento também).

Não posso esquecer das frustrações, como elas me fizeram maior. Já os encontros e desencontros, esses realmente foram diversos, um tanto quanto confusos, mas sempre no momento certo. Ah, e claro, coloca na conta também um companheiro que é mais do que um amor! ❤

É, bastante coisa rolou, assim como também ainda não rolou e a gente vai seguindo o baile, não é mesmo? Nem tudo está como foi planejado aos 17 anos, mas ok também, até porque tanta novidade fora do plano aconteceu e foi essencial. A caminhada está sendo como deve ser e sinto que estou onde deveria estar, rodeada de quem preciso, com alguns tropeços aqui e algumas saudades ali. Confuso, eu sei, mas resumidamente seria: tudo está em seu devido lugar!

Agora, se eu tivesse que eleger entre todos os acontecimentos/aprendizados desses 10 anos em Curitiba, escolheria o auto conhecimento, também chamado por mim de ‘amor próprio’. É delicioso se conhecer com tantos detalhes a cada ano que se passa, por isso recomendo muito. Cada vacilo eu me descubro mais e me aceito também, não cobro aquilo que não posso ser.

Obrigada Curitiba, Universo e companheiros de caminhada que, em algum momento, me deram suporte. Estamos juntos, mesmo que distantes fisicamente em alguns casos, mas ainda sou eu aqui do outro lado. 🙂 São muitas emoções mesmo, mas como já diz o clichê musical “nobody said it was easy”.

Ah, mas uma coisa eu falaria para a Carol de 17 anos: amiga, vão ter passado 10 anos e cê vai continuar não gostando de sushi/temaki, mesmo todo mundo te falando: “você precisa experimentar direito!”.